Marcado para os dias 27 e 28 de novembro, o acervo do bazar já possui mais de 1800 peças de vestuários e acessórios de diversas marcas internacionais e nacionais.

Buscando auxiliar a reunião familiar de migrantes e refugiados, e incentivar a cultura de reutilização de roupas, o Ministério Público Federal em Santa Catarina, através do Programa Bem Viver, promove um bazar solidário. O bazarHumanize Seu Estilo (@humanizeseuestilo) conta com acervo de mais de 1.800 peças de vestuário e acessórios usados em excelentes condições e de diversas marcas, entre elas, Armani, Jorge Bischoff, Animale, Farm, Schultz.

O evento está programado para os dias 27 e 28 de novembro, das 11h às 18h,  no lounge da Impact Hub do Primavera Garden, localizado na Rodovia SC-401, 4100, em Florianópolis. O objetivo do evento é angariar fundos em prol da campanha Humanize seu Olhar, da Organização Círculos de Hospitalidade.

“A campanha Humanize seu Olhar nasceu do anseio e da dor das famílias que estão separadas. Recebemos muitos pedidos de pais e mães que buscaram refúgio no Brasil e não conseguiram trazer seus filhos, seja por questão financeira, por segurança ou algum outro obstáculo burocrático. A dor de estar separado do seu filho, da sua filha ou de qualquer ente querido é universal, transcende fronteiras, nacionalidade ou credo. Assim como o sonho do abraço do reencontro. Todos nós conseguimos nos relacionar com essa dor e esse anseio, com o amor que sentimos de alguém que vemos somente em nossas memórias ou pela tela do celular”, diz Bruna Kadletz, coordenadora da Círculos de Hospitalidade. 

Segundo Cynthia Orengo, coordenadora do Programa Bem Viver, que busca promover a qualidade de vida no trabalho no MPF em SC, "desde 2018, o programa desenvolveu uma série de ações voltadas para visibilidade e acolhimento da comunidade de refugiados e imigrantes em Santa Catarina, visando também o combate ao racismo e à xenofobia. Em parceria com a Organização Círculos de Hospitalidade, foram realizados diversos eventos nos últimos três anos, como o Pedal Humanitário, que teve duas edições (2018 e 2019), seminários, feiras multiétnicas culturais, exposições de artes, entre outros”.

A Procuradora da República, Daniele Escobar, conta que a ideia de produzir o bazar veio a partir de uma conversa com uma colega de trabalho, que tinha roupas sem uso em casa, ela diz, “Contagiamos as pessoas certas para a realização deste sonho. Pretendemos reunir famílias e, em simultâneo, conscientizar as pessoas da desnecessidade de estarem a todo tempo adquirindo peças novas de vestuário, chamando a atenção para a moda circular. Contamos com a generosidade de muitos amigos, que se dispuseram a selecionar peças muito bacanas de seus guarda-roupas para comporem o bazar.

Foi um mês de trabalho intenso, onde angariamos, higienizamos e organizamos cerca de 2000 peças. Ao mesmo tempo, foram momentos de muita troca, onde tivemos a certeza de que nossos olhares e corações estavam voltados para o outro, para fazer o bem ao próximo.”

 A convite dos organizadores do bazar, os alunos de Moda da Faculdade Estácio de Sá, coordenados pela professora Jamilly Machado, organizaram uma produção de moda com as peças do bazar para mostrar as possibilidades de criação de looks e incentivar a criatividade dos consumidores, com mistura de peças. Segundo a professora Jamily, a ideia é “incentivar o público a ver novas propostas”.

“A Guerra Síria separou-me de meus filhos”

 
Iman é fisioterapeuta e chegou ao Brasil em 2018 com seu filho mais velho, buscando refúgio. Ela relata as dificuldades vividas e a dor de viver longe de filhos e marido: “meu filho mais velho ia completar 18 anos, idade em que ele seria obrigado a servir ao exército sírio. Para evitar que ele fosse arrastado para uma guerra injusta, na qual irmãos matam irmãos e vizinhos matam vizinhos, nós dois fugimos. O agravamento da Guerra Síria separou-me de meus filhos. A guerra causou muita dor, pobreza e perdas. Os custos das necessidades básicas, como água, eletricidade, comida e combustível, aumentaram muito. Eu não podia mais trabalhar e meus filhos tinham dificuldades para continuar seus estudos. Com o intuito de proteger meu filho mais velho, deixei meu marido e outros três filhos na Síria, e viemos só nós dois para Florianópolis. Na época, não poderia imaginar que seria tão difícil ficar longe da minha família e que ficaríamos tanto tempo separados.” 

Seu maior desejo é ter sua família toda reunida novamente e poder ter uma vida digna. Ela diz: “aqui, tenho confiança que meus sonhos de uma vida e um trabalho decentes se tornarão realidade, mas o que me entristece é que meus filhos estão longe de mim e permanecem em um país inseguro, onde estão expostos a vários perigos. Tudo o que mais quero é me reunir com meus filhos, ter minha família num único local e poder compartilhar cada momento de nossas vidas juntos. Quero vê-los crescer num ambiente saudável e sem medo dos sons de tiros, granadas e sequestros. Não desejo que eles passem por mais necessidades, sem acessar o básico da vida.”